Buenos Aires
  De Veneza a Praga no Orient-Express
  Paris: o gourmet de 30 dólares
  Londres
  Hotel Unique

  Buenos Aires
 

48 horas em Buenos Aires

 

 

 

 

 

por Ricardo Freire

(Miniguia publicado originalmente em Viagem & Turismo, em abril de 2003)


 

SEXTA À NOITE

 


 

Troque o jantar do vôo por uma cochiladinha. Mesmo chegando tarde, ainda vai dar tempo para sair e se divertir. As cozinhas dos restaurantes mais concorridos costumam aceitar pedidos até a 1 da manhã. E as ruas das zonas boêmias têm movimento madrugada afora.

 

* Para dar uma saidinha e ver gente antes de dormir

Vá para a Recoleta. Diga para o motorista: "Vicente López y Junín", e pronto -- você vai parar na esquina do bochincho. À sua esquerda você vai ver o Village Recoleta, um shopping futurista com 16 cinemas que nos fins-de-semana têm sessões "trasnoche" (à 1h da manhã). Ali também estão o bar temático Locos por el fútbol e uma das filiais da boa churrascaria La Caballeriza. À sua direita você encontra o calçadão de bares e restaurantes da Recoleta. Para comer, a melhor opção é o Lola (na esquina do calçadão com a Calle Guido); para beber, o café mais tradicional é o La Biela (na esquina do calçadão com a Av. Quintana).

 

* Para jantar bem antes de dormir

Toque para o Puerto Madero, um conjunto de armazéns reformados

a 5 minutos de táxi da zona hoteleira. Querendo se esbaldar de carne logo na chegada, escolha entre a La Caballeriza, mais rústica (nº 580) ou a Cabaña Las Lilas, mais chique (nº 516). Se você preferir comida moderninha em ambiente idem, dirija-se ao Montoya (nº 152). Para sushi e gente bonita, atravesse a ponte em direção ao Hilton e vire à direita na outra margem: o Asia de Cuba fica no nº 751.

 

* Para ver gente & jantar bem

Sextas e sábados, gstronomia e muvuca têm encontro marcado em Las Cañitas, um bairro residencial ao norte de Palermo, a 15 minutos da zona hoteleira. A rua principal, Calle Báez, tem um restaurante ao lado do outro. O Eh! Santino (nº 194) serve boas massas; o pequeno De la Ostia (nº 216) é um bistrô charmoso com bons preços; o Soul Café (nº 246) prepara pratos criativos, enquanto o Morelia (nº 260) assa pizzas... na grelha! Procurando algo ainda mais exótico, ande duas quadras acompanhando o aumento da numeração e vire à direita na Ortega y Gasset: no nº 1782 você encontra as delícias "fusion" do Lotus Neo Thai.

 

* Para ir direto a um lugar superbadalado

Escolha um dos bares-restaurantes de Patricia Scheuer, Luis Morandi e Federico Green, que são os reis da noite de Buenos Aires. O mais próximo da zona hoteleira -- na divisa entre Recoleta e Barrio Norte -- é o Gran Bar Danzón, que serve ótimos vinhos em taça a partir de 5 pesos (Libertad, 1161, entre Santa Fé e Arenales). O que melhor combina hype e boa comida é o Bar Uriarte, em Palermo Viejo (Uriarte, 1572, entre Honduras e Gorriti). Mas o que está mais na moda é o Sucre, um loft modernérrimo que fica para lá de Las Cañitas, a 20 minutos de táxi do Centro (Sucre, 676, entre Castañeda e Alcorta).

 


SÁBADO DE DIA

 


 

Aproveite o sábado para bater perna, namorar vitrine (no domingo as lojas de rua fecham) e passear pelos bairros mais charmosos da cidade. Comece o dia caminhando do seu hotel até a Galerías Pacífico (Florida, 735, esquina Av. Córdoba), um shopping com boas lojas (bons preços, também) e arquitetura deslumbrante -- era um antigo mercado que virou galeria em 1945 e foi inteiramente restaurado em 1992. De lá, passeie pela parte mais agradável da Calle Florida (no no. 940 fica a Ciudad de Cuero, uma galeria de lojas dedicadas ao couro) até chegar à verdíssima Plaza San Martín. Ali você vai pegar um táxi até... você decide:

 

 

* Para grifes internacionais e shoppings

Vá para a Recoleta. Pegue um táxi até o shopping Buenos Aires Design (Av. Pueyrredón esquina Av. Libertador), que tem a maior coleção de lojas especializadas em design e decoração da cidade. Em seguida, suba a Junín e entre no Cemitério da Recoleta, no nº 1760. (Para achar o túmulo de Evita: entre pelo pórtico, vire à esquerda na segunda alameda, vá até o final, vire à direita na alameda mais larga, e depois pegue a 11a. alamedazinha à esquerda. Evita descansa no 6º túmulo do lado esquerdo, no mausoléu da família Duarte.)  Bateu fome? Saindo do cemitério, continue em frente até a esquina da Av. Quintana com o calçadão de restaurantes da Recoleta; explorando as duas quadras à sua direita, você vai poder escolher entre menus de almoço entre 8 e 12 pesos. Se não quiser almoçar, siga adiante pela Av. Quintana. Na esquina com Ayacucho vale a pena experimentar o sorvete da Freddo -- só no sabor dulce de leche, são quatro opções. Atravesse a avenida para o lado esquerdo e continue pela Ayacucho até a Av. Alvear -- a mais chique da Recoleta, com lojas como Hermès (no. 1981), Zegna (1920), Versace (1901), Polo Ralph Lauren (1780), Louis Vuitton (1751), Emporio Armani (1750), Kenzo (1551) e Nina Ricci (1539). Paralela à Alvear, a Calle Posadas tem prédios residenciais lindos, lojas exclusivas e o shopping mais sofisticado da cidade, o Patio Bullrich (no. 1257), que mistura grifes internacionais com lojas locais mais acessíveis. Na última quadra da Calle Libertad estão butiques argentinas de grande prestígio, como a Rapsodia (no. 1673) e a Ante Litteram (1634). De volta à Calle Posadas você pode aproveitar para recarregar as energias com as empanadas mais cultuadas de Buenos Aires (a apenas 1 peso e meio cada uma), fazendo um pit stop no simplérrimo Sanjuanino (no. 1515). Ou então, terminar o passeio em grande estilo, indo a pé ou de táxi para o tradicionalíssimo chá da tarde ("English tea") do hotel Marriott (Florida, 1005, tel.: 4318-2070, 29 pesos por pessoa).

 

* Para lojas alternativas, cafés e restaurantes transadinhos

Neste caso, seu destino é Palermo Viejo, a pouco mais de 10 minutos de táxi da Florida. Peça para descer na Plazoleta Cortázar, na confluência das calles Borges e Honduras. À noite esta pracinha ferve com a garotada insone, mas no sábado de manhã o público é mais intelectual e/ou fashion. Inicie os trabalhos com um expresso no café Malasartes (Honduras, 4999, na esquina da praça), porque a caminhada promete. A Calle Honduras funciona como a rua principal do bairro. Acima da praça (numeração crescente), suas transversais estão pontilhadas de cafés, bares e restaurantes. Para baixo da praça (numeração decrescente) é maior a concentração de lojas. Uma das lojas mais originais da Honduras é a Casa Oma (no. 5140, acima da praça), um um mix de bistrô e butique. Do outro lado da praça, a Papelería Palermo (no. 4943) vende blocos e cadernos de papel reciclado (de 6 a 30 pesos) fabricados em prensas artesanais que ficam à mostra nos fundos da loja. Na mesma calçada, a Calma Chicha (no. 4925) oferece desde presentes kitsch baratinhos (a partir de 5 pesos) até acessórios fashion, como uma minimalista bolsa-sacola de couro (por 195 pesos). Na quadra seguinte, a Spoon (no. 4876) tem objetos de design para casa; um cinzeiro de mosaico de vidro (28 reais) certamente cabe na sua mala. (Aproveite para pegar no caixa um mapinha chamado Saber Adonde Ir; é grátis, e com ele na mão você descobre todos os segredos de Palermo Viejo.)  Continuando, atravesse a Armenia e pare na esquina da Calle Malabia. Caçadores (e caçadoras) de pechinchas devem virar à direita. Na segunda quadra, você encontra as pequenas lojas de fábrica da Traza, uma boa marca de sapatos; a loja masculina fica no no. 1495; a feminina, no no. 1428 (botas de couro a 85 pesos). Siga mais duas quadras e você chega à Av. Córdoba, exatamente no trecho em que ficam os grandes "outlets" de desconto; o da Nike fica no no. 4460 (ofertas desde 95 pesos). Em seguida, volte pela Malabia; duas quadras depois da Honduras você chega à Plaza de Palermo Viejo, que é sensivelmente mais descolada que a pracinha Cortázar. Bem na esquina, as mesas na calçada do Janio (Malabia, 1805) são perfeitas para tomar um solzinho e "una copa de tinto". Um pouco adiante, a Pri (no. 1833) tem roupas maluquetes e um restaurante natureba na parte da frente. Volte à esquina e suba a praça pela Calle Costa Rica. No no. 4522 fica a Cat Ballou, que mistura moda, design e arte. No no. 4592 a sorveteria Gula pode proporcionar aquela pausa que refresca. E não deixe de xeretar a La Finca (no. 4615), uma loja de "vinhos de autor" (de pequenas vinícolas) da região de Mendoza. Querendo terminar o passeio se sentindo o mais moderno entre os modernos, pegue um táxi e vá fazer um almoço tardio no Olsen (Gorriti, 5870, entre Carranza e Ravignani), que tem pratos nórdicos, sandubas originais e degustação de vodkas; você vai poder dizer que conheceu Palermo Hollywood, o lado mais exclusivo do bairro.

 

* Se você quer Recoleta e Palermo Viejo no mesmo sábado

Cabule as Galerías Pacífico e a Florida e vá primeiro à Recoleta -- as lojas de Palermo Viejo fecham mais tarde que as butiques da Alvear.

 


 

SÁBADO À NOITE

 


 

Tango

Buenos Aires sem tango não é Buenos Aires. Escolha o show que mais combina com você, e faça sua reserva antes de sair do Brasil. O Viejo Almacén (Independencia esquina Balcarce, San Telmo, tel.: 4307-6689) tem o espetáculo mais broadwayano/follies-bergeresco da cidade: são 13 bailarinos acompanhados por um sexteto. O show começa às 22h e custa 75 pesos (com direito a duas bebidas); o pacote completo, começando com jantar  às 20h (bebidas inclusas) sai 110 pesos. O endereço mais refinado para ver tango é o El Querandí (Peru esquina Moreno, Montserrat, tel.: 5199-1770), que funciona numa antiga confeitaria art-déco e cobra 90 pesos pelo pacote jantar-show, com 7 músicos e 6 bailarinos (início às 20h30). O show mais intimista é do pequenino Bar Sur (Balcarce esquina Estados Unidos, San Telmo, tel.: 4362-6086), onde dois casais de bailarinos, dois músicos e duas cantoras da velha guarda se revezam das 8 da noite às 3 da manhã. A entrada custa 45 pesos e dá direito a pizza em fatias noite adentro. Querendo gastar ainda menos, a pedida é assistir aos shows mais simples (porém autênticos) apresentados na Sala Alfonsina Stormi do venerável Café Tortoni (Av. de Mayo, 825, entre Piedras e Tacuarí, tel.: 5411-4342). Aos sábados há um espetáculo às 21h e outro às 23h30, normalmente com um casal de dançarinos; o ingresso custa 12 pesos, mais 6 pesos de consumação obrigatória.

 

Jantar e badalar

Volte ao capítulo "Sexta à noite" e escolha a região boêmia que você ainda não explorou. Ou, se você se apaixonou à tarde por Palermo Viejo, vá de táxi até a Plazoleta Cortázar e explore a pé os quarteirões acima da pracinha. Três boas opções: o Social Paraíso (Honduras, 5182, entre Thames e Uriarte), que tem comida moderna e em conta; o Lelé de Troya (Costa Rica, 4901, esquina Thames), com ambientes coloridíssimos e vinhos espertos; e o Spirit (Serrano, 1550, entre a praça e Gorriti), que tem ostras e tapas (uma porção e-nor-me de tapas para dois sai 30 pesos).  

 

Milonga

Quer ver como os argentinos dançam tango na vida real? Vá a uma milonga. Não tem o charme nem a grandiosidade dos shows de tango, mas é um jeito mais pitoresco de esticar a noite sem acabar numa discoteca. Para ver jovens dançando tango, vá ao La Viruta, num clube de bairro em Palermo Viejo (Armenia, 1366, entre Cabrera e Niceto Vega). O ingresso custa 8 pesos e o baile vai até as 4 da manhã. Para ver ágeis casais de velhinhos dançando ao som de uma orquestra de verdade (só aos sábados!), vá ao Nuevo Salón La Argentina (Bartolomé Mitre 1759, entre Callao e Rodríguez Peña). O ingresso custa 6 pesos e o baile vai até as 3 da manhã.

 


 

DOMINGO

 


 

Em busca da Buenos Aires típica

Aproveite que você está embalado pelo tango da noite passada e vá ao berço do tango -- o Sul de Buenos Aires. Comece pelo Caminito, a celebrada vielinha de casas coloridas de zinco no bairro de La Boca (diga "Caminito" e todo taxista sabe chegar). Depois emende com a Feira de Antigüidades de San Telmo (Plaza Dorrego, San Telmo). Fuja dos preços altos dos estandes da praça visitando pólos alternativos, como a galeria de brechós Pasaje de la Defensa (Defensa, 1179) ou o dilapidado Mercado de San Telmo (Defensa, 961), onde as velharias são expostas entre verduras e carnes. Para almoçar, o melhor restaurante da praça é o Pappa Deus (Pasaje Bethlem, 423); a três quadras dali, o El Desnivel (Defensa, 855) é um botequim de bairro que assa carnes na "parilla" por preços praticamente de graça -- o bife de tira sai por inacreditáveis 5 pesos e 50 (por isso as filas na porta).

 

Fugindo da Buenos Aires típica

Faça como os argentinos: passe a manhã no Parque de Palermo (peça para descer perto do Jardín Japonés). Aproveite para visitar o Museu Nacional de Belas Artes (Av. Libertador, 1473, esquina Pueyrredón). Passeie pela Recoleta, prestando atenção desta vez não nas vitrines, mas nos prédios e praças.

 

Gran Finale

Coma sua última carne argentina da viagem em algum restaurante do Puerto Madero. Ou reserve com antecedência um brunch 5 estrelas no Four Seasons (Cerrito, 1455, entre Posadas e Alvear, tel.: 4321-1234; 58 pesos por pessoa). Ou simplesmente passe no Café Tortoni (Av. de Mayo, 825, entre Piedras e Tacuarí) para um derradeiro "chocolate con churros" antes de pegar as malas no hotel.

 

 

Ricardo Freire

 

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