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São Miguel dos Milagres, Porto de Pedras, Japaratinga

 

 

 

Rota Ecológica:

Qualidade de férias

 

 (E) Praia do Toque - (D) Rio Tatuamunha

 

 

 

 

 

 

 

 

Praias selvagens, intocadas pela especulação imobiliária ou pelo turismo de massa, a apenas 100 km de uma capital? Existem, sim. Mas não espalhe.

 

Entre Barra de Santo Antônio e Maragogi, a estrada litorânea alagoana deixa de ser litorânea -- entra para o interior, na direção do centro canavieiro de Porto Calvo. Este desvio providencial poupou 40 km de lindas praias da degradação ocorrida mais ao norte, em Maragogi. Trata-se de uma costa que só agora está sendo descoberta -- e o que é melhor: descoberta pelas pessoas certas, que querem ajudar a manter esse trecho a salvo do turismo predatório. Ouviu bem? Confio em você.

 

 Curral de peixe, Praia do Lage

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O nome "Rota Ecológica" não é oficial: foi um hotel da região (atualmente fechado) que cunhou a expressão, em placas colocadas nos dois acessos à estradinha. Eu devo ter sido o primeiro a usar o termo numa matéria (em 2000, na Vip), e desde então muita gente tem se referido à região dessa maneira. As autoridades alagoanas preferem "Costa dos Corais" -- mas como essa denominação também inclui Maragogi, estou fora. Ficamos combinados que o lugar se chama Rota Ecológica, e os outros não precisam saber do que estamos falando.

 

 Piscina natural do Toque

Antes de mais nada, a Rota Ecológica é uma reserva natural de sossego. A costa é ocupada basicamente por fazendas de coco, interrompidas aqui e ali por vilarejos simplérrimos, porém limpinhos e cheios de dignidade. Em sua maior parte, a estrada passa longe da praia: a paisagem é dominada pelo coqueiral e pelas vilinhas. Aproveite para diminuir a velocidade e entrar no ritmo dos nativos, que se locomovem tranqüilamente de bicicleta.

 

 

Normalmente um lugar primitivo como esse seria ocupado por pousadinhas simples, dirigidas ao bicho-grilo que mora em cada um de nós. Mas não, esse não é o caso da Rota Ecológica. Sem interferir na paisagem nem alterar o ritmo de vida dessas bandas, um conjunto de pousadas -- capitaneadas pela pioneira Pousada do Toque (foto) -- transformou esse trecho de Alagoas numa área de proteção ambiental do conforto, da boa mesa e da preguiça. Das oito pousadas que eu indico na região, nada menos que seis têm DVD no quarto. Em cinco delas você fica hospedado em chalés ou bangalôs independentes. Todas têm restaurante funcionando para os hóspedes -- mas nenhuma em sistema de buffet. Aqui você pode tirar férias à beira-mar imbuído do mesmíssimo espírito que faz você subir a serra no inverno: dormir bem, comer melhor ainda e de preferência não fazer mais nada. 

 

 (E) Pousada do Alto - (D) Aldeia Beijupirá

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para quem vem de Maceió, a Rota Ecológica começa em São Luís do Quitunde -- mas só encontra a costa em Barra do Camaragibe. Ao sul da barra (você pode atravessar o rio de canoa) fica a Praia do Morro, em cujo canto direito se encontram as falésias coloridas que são o prolongamento natural das famosas falésias de Carro Quebrado, na Barra de Santo Antônio.  

 

 (E) Rio Tatuamunha - (D) Praia do Toque na maré baixa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O asfalto continua para o norte, atravessando os povoados de São Miguel dos Milagres, do Toque e de Porto da Rua. Quando a Rota entra no município de Porto de Pedras, os vilarejos e praias ficam ainda mais interessantes. A primeira vila, Tatuamunha, tem muitos casarões preservados -- e um belo rio, cenário de passeios ao entardecer (e residência oficial de um casal de peixes-bois que foi trazido para ali pelo Ibama, para reproduzir). Passando a vila fica a linda praia de Tatuamunha (ou Gibaba). A praia mais perfeita da região vem logo depois: a Praia do Lage (foto). A última praia desse lado da Rota, o Patacho, tem acesso por uma estradinha que passa por dentro do coqueiral.

 

 

Quando enfim chega à sede do município de Porto de Pedras (foto) -- que também tem algumas casas centenárias em seu centrinho -- a estrada é interrompida: é preciso atravessar o Rio Manguaba de balsa. Do outro lado do rio são mais 10 km (de terra e paralelepípedos) até a vila de Japaratinga, onde a Rota encontra novamente a estrada litorânea oficial de Alagoas, a AL 101.  Esse trecho norte da Rota não é tão bucólico quando o de São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras (afinal, a AL 101 e Maragogi estão muito perto), mas também é muito bonito: você vê o mar (azul-calcinha, verde-esmeralda) o tempo todo.

 

 

 Piscina do Toque

Ao longo de toda a Rota, várias piscinas naturais brotam na maré baixa. Nenhuma delas, felizmente, é tão grande nem tão cheia de peixinhos como as Galés de Maragogi -- uma garantia de que nunca estarão tão insuportavelmente cheias de visitantes quanto as Galés de Maragogi. Aliás, essas são as delícias decorrentes da ocupação de baixo impacto da região. Quando você for a uma piscina natural, provavelmente vai encontrar pescadores por lá -- sinal de que por aqui os pescadores ainda pescam, não se tornaram bugueiros. As barracas de praia que existem nos povoados atendem a suas comunidades, e não a excursões de Maceió. A praia de Porto da Rua é tomada por barcos de pesca, e não por jangadas de turismo -- e toda sexta-feira, a professora da escola leva a turminha do primário para fazer o recreio na areia.

 

A natureza caprichou. O engenheiro que desviou a estrada principal para o interior colaborou. Os pousadeiros que se instalaram na região fizeram tudo direitinho -- vieram em busca de qualidade de vida e estão sinceramente empenhados em oferecer qualidade de férias para seus hóspedes. Os vilarejos estão sendo beneficiados, sem se descaracterizar. Espera-se agora que as autoridades de Alagoas entendam e preservem a vocação dessa região para o turismo de charme. Se tudo continuar desse jeito, muito rápido a Rota Ecológica vai se afirmar como a alternativa mais sossegada (e menos afetada) ao Sul da Bahia. Interessa?

 

 

 

 (E) Aldeia Beijupirá - (D) Pousada do Toque

 

 

 

  

 

 

 

 


 

Com fotos de Giovana Gregolin

 


 

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