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Fernando de Noronha:

Caribe brazuca

 

 (E) Morro do Pico - (D) Praia do Sancho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pode acreditar em tudo o que você ouviu e viu sobre as belezas de Fernando de Noronha. Seus amigos não exageraram nas descrições, e as fotos que saem publicadas nas revistas não são produto de uma cuidadosíssima escolha de ângulos favoráveis. De frente para o mar, TODOS os ângulos de Noronha são favoráveis. Qualquer instamatic tira fotos lindas.

 

Águas cristalinas, recortes sensuais, pedras, morros, mata -- os ingredientes são todos da melhor qualidade, e foram misturados por Alguém que claramente entende desse negócio de fazer praia bonita. Embaixo d'água, você cruza com uma fauna marinha difícil de encontrar tão perto de terra firme. E mesmo quem não mergulha pode assistir, de binóculos, ao espetáculo dos golfinhos que chegam em bando todos os dias, às 6 da manhã, numa praia onde só eles podem nadar.

 

 Forte de São Pedro

Foi só a partir dos anos 90 que Noronha passou a receber turistas regularmente -- o que explica a conservação de suas belezas. Antes disso, ninguém ia a Noronha a passeio. Fernando de Noronha foi prisão de segurança máxima e território federal sob os cuidados da Marinha antes de passar ao Estado de Pernambuco como um parque nacional marinho. Só 700 visitantes podem pernoitar na ilha ao mesmo tempo -- pagando uma "taxa de preservação", cobrada na sua chegada ao aeroporto, que começa em R$ 21 por dia e dobra depois do décimo dia.

 

Você e eu podemos enxergar Noronha como uma versão brazuca do Caribe, mas o governo, o Ibama e a National Geographic enxergam Noronha como um parque nacional. É bom que seja assim. Tudo o que funciona bem de verdade em Noronha tem a ver com a ecologia e a educação ambiental dos visitantes.

 

 Praia do Sancho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que está errado é a romancização do desconforto e do mau-gosto como atrações turísticas de Noronha. Ecologia é uma coisa; breguice é outra. Existe a idéia de que só o amadorismo é ecológico, e que toda sofisticação é poluente. Como se as vilas de moradores onde ficam as pousadas não fossem bagunçadas e não estragassem a paisagem. Como se os próprios moradores fossem nativos preservando costumes ancestrais, e não funcionários importados pela burocracia e pelas forças armadas e que deram um jeitinho de ir ficando. Como se os bugues e mais bugues que cruzam a estrada (asfaltada!) da ilha fossem ecologicamente corretos.

 

Felizmente esta mentalidade está começando a mudar. Tudo começou há alguns anos, quando o administrador da ilha era Sérgio Salles. O passo inicial foi um programa de financiamento governamental para que as pousadinhas equipassem os quartos com ar, TV e frigobar (o mínimo que se pode oferecer, considerando os preços cobrados...) Num segundo momento, foi dada a permissão para que pousadeiros locais se associassem a investidores de fora da ilha para montar pousadas de luxo. Isso permitiu a renovação da Pousada do Zé Maria (com uma dezena de bangalôs sobre palafitas, alguns deles equipados até com jacuzzi no terraço) e a abertura do primeiro hotel de nível internacional de Noronha, a Pousada Maravilha (cinco bangalôs com ofurô na varanda, vista sensacional e serviço impecável). Outros projetos foram aprovados, incluindo a ampliação da Solar dos Ventos (que tem a melhor relação conforto x preço da ilha) e a construção de pelo menos três pousadas que prometem ser ótimas alternativas para quem quer conforto. (Atualmente é necessário reservar com 4 meses de antecedência nas melhores pousadas; só o Zé Maria deixa de atender a 400 pedidos de reserva por mês).

 

 Pousada Maravilha

Mas não pense que vem aí um boom de acomodações de luxo em Noronha. Na esteira das fofocas que envolveram a construção da Pousada Maravilha (e não foram poucas), o administrador Sérgio Salles acabou caindo. Seu sucessor, Edrise Ayres, já deixou claro que não aprovará nenhum projeto novo enquanto Noronha não resolver alguns problemas graves de infra-estrutura, principalmente o abastecimento de água -- no que está, convenhamos, absolutamente certo. Uma coisa, no entanto, é inevitável: a chegada do conforto e do charme vai acabar contaminando toda a ilha. Os primeiros efeitos já se fazem sentir -- como nos petiscos servidos em cumbucas de palha enfeitadas com flores no bar Duda Rei, na praia da Conceição, ou na decoração de brechó da pizzaria Massa da Ilha, na Vila dos Remédios (uma prova de que dá para ter charme mesmo sem investir uma grana preta). No front da hospedagem mais básica, um programa do Sebrae, chamado Cara Brasileira, tenta incutir noções de estilo nas pousadinhas domiciliares, para que escapem do look pré-fabricado tão característico de Noronha.

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 Igreja de N. Sra. dos Remédios

A ilha é relativamente pequena e fácil de entender. Seu território é cortado pela BR 363, que, com 6 km de extensão,é a mais curta do país. A estrada sai do porto, ao norte da ilha, passa ao largo da Vila do Trinta, da Vila Floresta Nova e da Vila dos Remédios (o centro histórico da ilha), continua em direção à Vila do Boldró (onde fica o Ibama), passa pelas entradas para as praias mais bonitas, costeia o aeroporto e termina na baía do Sueste. Existe um microônibus que percorre a BR de fora a fora a cada meia hora (as últimas notícias dão conta de que o horário anda mais espaçado).  Você pode usar os serviços dos bugues-táxis (as corridas começam em R$ 10) ou alugar um bugue (a partir de R$ 100 a diária). 

 

 Praia da Conceição 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Noronha está em outro fuso horário: quando no Recife são oito horas, lá são nove. A época seca vai de agosto e fevereiro. Evite março e abril, quando chove muito. Se  você quer pegar a ilha mais vazia, venha em maio e junho, quando a chuva não chega a atrapalhar muito. A temporada de surf vai de dezembro a fevereiro, quando os ventos são mais fortes. O mar está nota mil para mergulho entre agosto e novembro.

 

Os agitos noturnos começam nas palestras que acontecem diariamente no Ibama, e que, pasme, são muito divertidas. Depois do jantar vai todo mundo para o forró do Bar do Cachorro, na Vila dos Remédios, que não tem hora para acabar -- e pode proporcionar experiências eco, bio e antropológicas inesquecíveis .

 (E) Baía dos Porcos - (D) Duda Rei, Praia da Conceição

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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Mais na Internet: noronha.pe.gov.br